PMDB da Bahia levou ao pé da letra a expressão ‘o último a sair apague a luz’

O deputado federal Lúcio Vieira Lima encerrou de vez as
especulações da debandada dos parlamentares do PMDB na Bahia quando confirmou
que todos os detentores de mandato na Assembleia Legislativa da Bahia devem
deixar a sigla para sobreviver politicamente (lembre aqui). A medida já era
aguardada há bastante tempo, porém nenhum dos deputados estaduais falava
publicamente sobre o assunto e, quando questionados, eram evasivos. Os últimos
resilientes foram Leur Lomanto Jr. e Pedro Tavares, que preside a legenda na
Bahia. Oficialmente, apenas Leur tornou pública a desfiliação ao PMDB. Lúcio
poupou o constrangimento de ambos em deixar o ninho que os criou politicamente.
Sobreviver politicamente é o grande interesse desses parlamentares ao deixar o
partido. Depois da forte imagem do bunker de R$ 51 milhões, atrelado por tabela
ao PMDB em virtude do principal acusado, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, era
natural que houvesse uma debandada daqueles que formalmente não foram atingidos
pelos respingos do escândalo. Já para Lúcio, permanecer no partido é uma saída
honrosa para a família que comandou a mão de ferro a legenda nos últimos anos –
e, concordemos ou não, fez do PMDB uma potência política na Bahia até 2010,
quando se inicia o declínio que chega próximo do limite que vemos atualmente. Os
desertores não deixam de ser injustos com o clã. Ainda que desejem ser
dissociados dos Vieira Lima, foi sob a liderança de ambos que a sigla obteve
resultados expressivos nas urnas durante um espaço importante de tempo e
consolidou os zonas eleitorais que depois ajudaram a garantir vagas na
Assembleia Legislativa. A debandada é apenas mais um episódio no caderninho de
“ingratidões” acumuladas pelos Vieira Lima nos últimos anos. A lista inclui
desde Jaques Wagner, de quem foram aliados de 2006 ao rompimento em 2010, até o
prefeito de Salvador, ACM Neto, que marchou ao lado da dupla de 2012 a 2016. O
fato é que qualquer um que quiser ter chances nas urnas este ano não pode
seguir na mesma casa que abrigou os milhões do bunker e que, para completar,
está ao lado do pouco popular presidente Michel Temer. Por isso, caso não
consiga a reeleição em 2018, Lúcio pode levar ao pé da letra uma expressão bem
popular e ser o último a apagar a luz do PMDB baiano. Este texto integra o
comentário desta quarta-feira (28) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às
12h30, e para as rádios Excelsior FM, Clube FM e Irecê Líder FM.

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