Professora universitária feirense é comparada a prostituta no Facebook, após assumir cabelo natural

Uma cena de racismo e machismo,
ocorrido na semana passada, chamou a atenção e está criando uma onda de revolta
entre usuários feirenses da rede social, Facebook. A situação em questão é em
relação a um comentário de um indivíduo, postado em uma determinada foto de uma
mulher negra, onde o mesmo a compara com uma garota de programa de um
determinado prostíbulo, localizado em Feira de Santana, pelo simples motivo da
mesma ter decidido usar o seu cabelo de forma natural.  

A vítima trata-se da
professora universitária, Andréia Araújo, 31 anos, Mestre em Literatura e
Diversidade Cultural pela UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) e
Doutoranda em Literatura e Cultura pela UFBA (Universidade Federal da Bahia).

Na postagem em questão,
onde Andréia aparece em algumas fotos após a sua transição capilar, o indivíduo
faz o seguinte comentário: “Parece a puta (sic) que eu mais adorava no brega de
Valdelice. Com todo respeito que ela me inspirava”, ofende.


Após este, uma onda de
novos comentários repudiando a atitude do homem em questão foram postados na
foto da vítima, que recebeu apoio de diversas outras mulheres e homens.


Em entrevista ao Bom Dia
Feira, Andréia explica que não tinha nenhum contato pessoal com o homem que
praticou o ato de racismo e machismo. “Nas minhas redes sociais eu sempre
mantenho contato com pessoas que não conheço pessoalmente, mas que possuem interesses
intelectuais e profissionais semelhantes aos meus. Possuía um contato virtual
com o indivíduo em questão, pelo fato do mesmo também ser envolvido no meio do
jornalismo e da produção literária. Não era um contato a ponto de conversar e
trocar ideias e sim de algumas discussões em algumas postagens, nada além disso”,
explicou.

Na postagem em questão,
Andréia explica que montou um mosaico de fotos, onde mostra o seu cabelo após
enfrentar o processo de transição capilar. “Estava usando tranças no meu
cabelo, então decidi retirar e postei uma foto com o resultado. Algumas pessoas
logo comentaram elogiando o meu novo visual, foi então que observei um
comentário que me comparava à “puta predileta” de um determinado senhor”.

Ainda em entrevista,
Andréia contou que a sua reação foi de ficar estupefata. “Logo após eu ter
visto o comentário, escrevi logo abaixo “como é que é?”, esperando, no mínimo,
um pedido de desculpas ou a exclusão do comentário, mas o senhor em questão persistiu
afirmando que o comentário foi apenas um elogio e que eu realmente me parecia com
uma puta”, salientou.  

Na mesma publicação, o
homem que disparou ofensas à Andréia continua ressaltando o seu pensamento
racista e machista, enquanto diversas outras pessoas comentam em apoio a mulher
e repudiando a fala do mesmo.

De acordo com Andréia
Araújo, após receber diversos comentários condenando a sua fala e perceber a proporção
ao qual o caso tomou, o indivíduo tentou entrar em contato com a ela para se
desculpar. “Vieram pessoas tentar defendê-lo, dizendo que o mesmo era uma
pessoa boa. Sempre há esta espécie de ‘juízo moral’ de que pessoas de bem não
fazem este tipo de afirmação, que foi um momento único e isolado, e por isso,
você tem que deixar para lá”, lamentou.

A professora universitária
ainda conta que vai levar o caso para o âmbito judiciário. “Já estou tomando
algumas providências, mas lamento que isso esteja sendo muito difícil. Durante
a semana eu peregrinei em delegacias de Feira de Santana só para conseguir
fazer um registro simples e formal de uma queixa e não consegui. O que
dificulta mais ainda é o apoio e os custos ara se mover uma ação penal, falta apoio
e orientação jurídica”, relatou.

“Penso que, se isso para
mim não está sendo fácil, fico imaginando para outras mulheres que não têm
tanto acesso a informação e que não estão em posições de peitar o poder. Que
violências, muito maiores que essa, se abatem sobre essas mulheres? Acredito
que isso aponta para uma necessidade de fortalecimento de redes femininas de
colaboração”, afirmou.

“É importante que a nossa discussão
saia das redes sociais e partam efetivamente para o espaço público para que
efetivem esses direitos do público feminino e, especialmente, o direito das
mulheres negras que estão aí envolvidas numa articulação em que, muitas vezes, há
sobreposição de opressões; a opressão de raça se articula a uma opressão de
classe”, concluiu.

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