Para refletir : Sonho de Juiz

Do menino do sertão
Das brenhas da Paraíba
No sítio canto de riba
Nasceu o último varão
A casinha sem reboco
Num lugar tão esquisito
Um ninho de periquito
Em mourão de tronco oco
A luz, só de candeeiro
Banheiro em moita fechada
O velho amola a enxada
Debaixo do juazeiro
A vida era bem singela
E o sonho, tão pequenino
Travessuras de menino
E a correção na chinela
A mãe tão batalhadora
Acreditou no menino
E cantou o seu destino
Uma pobre sonhadora
O pai de um braço só
Não conhecia limites
Nunca sofreu de artrites
Mais forte que mororó
Moleque trabalhador
Estudar, não era afeito
Não parou e tomou jeito
No sofrimento e na dor
Novolindense arretado
Do vale do Piancó
No pingo d’água, deu nó
No sonho, compenetrado
Desejou e chegou lá
Na praça Frei Damião
Bozó e ”carrim” de mão
Jamais pensou em parar
A recompensa chegou
Degrau em degrau subiu
E porque não desistiu
O menino hoje é doutor
*Teomar Almeida *

admin