Presidente da Agerba deixa o cargo com sensação de dever cumprido

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O presidente da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (AGERBA), Eduardo Pessoa, deixou o cargo que ocupava no órgão, antes que a exoneração fosse publicada. Nesta quinta-feira (21), o advogado compartilhou os últimos momentos à frente da AGERBA e conversou com exclusividade com o Varela Notícias.
Durante a conversa, o agora ex-presidente falou sobre o apoio que sempre recebeu dos senadores Otto Alencar e Jaques Wagner e ainda sobre a boa relação com os políticos ao longo dos oito anos em que esteve à frente do órgão. Confira a entrevista completa:
Varela Notícias – Por que você decidiu pedir demissão, antes que sua exoneração fosse publicada?
Eduardo Pessoa – Em conversa com o senador Otto Alencar, eu decidi deixar o governador mais à vontade, mesmo sabendo que ele não precisava, para tomar qualquer atitude. No meu entendimento, é uma questão de bom senso. De qualquer forma, estou aqui aguardando quem virá, para fazer uma transição de forma que não seja ‘rompida’. Entendo que tem que haver renovação, novos ares, mas continuo acreditando no trabalho do Governo e da Agência.
VN – O senhor teve o apoio do senador Otto Alencar. Esse ano, ele decidiu que deveria ter essa renovação. Teve algum motivo?
EP – Sempre tive apoio irrestrito do senador Otto Alencar e do ex-governador, Jaques Wagner. Não teve nenhum motivo. Estou saindo numa boa, de forma tranquila, não teve nada. O senador Otto conversou comigo e disse que, depois de oito anos, foi uma decisão pessoal do governador Rui. Eu acato e continuo apoiando o governo e volto para minha profissão de advogado. Estou indo embora tranquilo, sem nenhum ressentimento. Muito pelo contrário, estou feliz por ter servido oito anos ao governo.
VN – Nesses oito anos de trabalho à frente da Agerba qual foi seu maior desafio?
EP – A Agerba não tem maior desafio, todos são. É um setor muito dinâmico. Em números de serviços regulados é a maior do Brasil. Em outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, geralmente são duas ou três agências. Mas não há dúvidas que tivemos o problema com o Ferry-Boat. Quando chegamos, em plena crise, o Ferry-Boat precisava sofrer uma intervenção maior do estado. Na época, tive apoio total do ex-governador, [Jaques] Wagner. Nós pudemos realizar uma intervenção e sempre reivindicamos a necessidade da compra de barcos. Os barcos que foram comprados pela antiga concessionária, o Ivete Sangalo e o Ana Nery, eram barcos que não tinham capacidade para atender, com apenas sessenta vagas. Na época, o estado da Bahia já tinha crescido muito. Salvador estava perto de 3 milhões [de habitantes]. Então, nós partimos para comprar dois barcos, fizemos uma compra internacional na Europa. Tiramos de tráfego duas das embarcações mais antigas, a Juracy Magalhães e Agenor Gordilho, porque estão obsoletas e teria que ter um gasto muito grande para torná-las operacional. Foi uma; atitude muito difícil, mas o gasto da reforma seria de 6 milhões. Entendemos que era inviável. Como está previsto no contrato de concessão, se houver aumento de demanda, a obrigação de comprar uma nova embarcação é da concessionária; se o barco for retirado de tráfego por se tornar obsoleto e antieconomicamente operacional, é obrigação do Estado. Por isso, o Estado da Bahia tem que comprar dois barcos para colocar no sistema, para evitar problemas operacionais, que já estão ocorrendo. Não entendo porque o governo não comprou ainda. Se vai ter ponte ou não, é outra história. Vai demandar um tempo muito grande para ela ficar pronta. Até lá a população está crescendo e o transporte Ferry-Boat é importantíssimo. O Rio de Janeiro, em 1969, fez a ponte Rio-Niterói e as barcas não acabaram. São sistemas que convivem harmonicamente. Eles poderiam botar no edital que quem ganhasse a ponte poderia ressarcir o governo do valor dos novos ferries. São soluções de políticas públicas que não estão querendo ter, não sei o porquê.

(Foto: divulgação)
VN – Quais foram os principais projetos da sua gestão?
EP – Não gosto de fazer propaganda, mas fizemos algo muito importante aqui. Lutamos muito, tivemos apoio do Ministério Público, de doutora Rita Tourinho, e fizemos uma renovação das linhas por sete anos. Passamos a fazer licitação do transporte alternativo, que nunca teve na Bahia. Fizemos um concurso público e conseguimos contratar sessenta servidores efetivos. Fizemos a regularização das linhas de ônibus intermunicipal, que estavam sem contrato. Essa não foi uma atitude minha, foi uma atitude do Governo. Os servidores da Agerba ajudaram muito. Nós recebíamos as ideias das pessoas e tocávamos o serviço.
VN – Que conselho o senhor daria para seu sucessor? O que precisa melhorar?
EP – Que ele lute por mais um concurso público, para que tenhamos mais servidores e estejamos presentes no interior do estado. Que lute para que as duas embarcações venham para o Ferry. Que se regularize rapidamente a questão do transporte da Região Metropolitana de Salvador, juntamente com o metrô, que não sobrevive sozinho. Vou sentar com ele, passar toda minha experiência e estarei sempre à disposição.
VN – Hoje, por exemplo, o metrô teve uma lentidão e a população sofreu bastante…
EP – Está tendo esse problema, se não me engano, duas ou três vezes já aconteceu. Há um estudo no Governo do Estado para que a Agerba venha a ser a agência reguladora. E deve ser, porque é um transporte metropolitano. Uma ideia que eu sempre tive e entendo que seja viável é que o Governo do Estado modifique as agências reguladoras, a Agerba e a Agência Reguladora de Saneamento Básico (Agresa). Eu entendo que o governo poderia transformar em uma única agência, botando o saneamento e transporte metropolitano como diretorias. Com isso, asseguraríamos um colegiado e teríamos uma agência mais forte. Mas esta é uma opinião minha.
VN – Há rumores que o seu posto passaria para o irmão do senador Angelo Coronel, Carlos de Azevedo Martins. É verdade?
EP – O mesmo rumor que todo mundo escuta, eu também escuto, mas isso nunca foi conversado. Não tenho nenhuma confirmação. Só espero que quem venha seja muito bem-vindo e continue trabalhando.
VN – Qual o seu sentimento hoje? É de missão cumprida?
EP – Não integralmente. Outras coisas poderiam ser feitas. Eu tinha planejado continuar, mas quando recebi a notícia que eu não ia ficar, fiquei muito tranquilo, porque sei que quem ocupa um cargo público, de nomeação política, tem dia de entrar e de sair. A saída só não pode ser desonrosa e a minha não está sendo, pois não cometi nenhum ato.

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