‘Perder um é difícil, imagine perder cinco’, diz prima de vítimas da chacina

Enterro de duas das vítimas foi marcado pela comoção; manifestação está marcada para esta segunda-feira (20)
Pelo menos dez pessoas foram amparadas e cinco delas carregadas depois de desmaiar durante o sepultamento de Raiane Freitas, 12, e Guilherme Gomes da Silva, 19, duas vítimas da chacina de Portão. Os dois foram enterrados sob forte comoção de parentes e amigos que compareceram em peso no Cemitério de Portão, no final da tarde de ontem.

Familiares disseram que a chacina foi motivada pela guerra de tráfico na região, mas que as vítimas não tinham envolvimento, eram inocentes e foram pegas de surpresa na porta de casa. Cinco pessoas conseguiram correr. “É demarcação de território. Eles vêm procurar alguém, não acham, e saem atirando a esmo”, afirmou uma vizinha, que pediu para não ser identificada.

“Raiane era só uma criança sonhando em ser bailarina e Guilherme, tão novo, deixou a esposa grávida de quatro meses. Eles estavam, como de costume, na porta da casa da avó contando como foi a semana quando foram surpreendidos pelos homens armados”, lamentou uma parente sob anonimato.
Raiane e Guilherme também são parentes da doméstica Raimunda Jesus dos santos, 35, outra vítima da chacina que será sepultada nesta segunda-feira (20), na cidade de Esplanada, Nordeste da Bahia. Além das três vítimas da mesma família, também morreram o pintor Rogério Oliveira da Silva, 36, que será enterrado no Piauí, e o adolescente Pablo dos Santos, 15, que será enterrado nesta segunda-feira (20).

“O motivo da chacina? Falta de segurança pública. Portão está entregue às moscas. Político só aparece de quatro em quatro anos e depois some. A polícia só entra para ameaçar. Para eles são só cinco CPFs cancelados. Mas a Justiça é nosso socorro”, lamentou a produtora Patrícia Jesus, 36 anos, prima de Raiane e Guilherme.

Patrícia contou que, além dos três parentes que foram assassinados, os vizinhos também eram queridos por todos. “Quando a gente tem uma família marginal, a gente espera, mas todos eram inocentes. Perder um é difícil, imagine perder cinco pessoas que a gente ama”, disse, emocionada. Uma manifestação da comunidade está marcada para esta segunda-feira (20), às 15h30, na praça principal de Portão.

Redação CN