CORAÇÃO DE MARIA: Município tem a maior incidência de dengue na Bahia


A Epidemia de dengue já atinge 354 municípios baianos. Até a semana passada, a maior incidência de dengue na Bahia foi registrada em Coração de Maria. Com menos de 23 mil moradores, a taxa de incidência da doença é de 3.550,01 para cada 100 mil habitantes.
O Ministério da Saúde considera que o coeficiente de incidência abaixo de 100 casos por 100 mil habitantes representa baixo risco para ocorrência de surtos/epidemias; entre 100 a 299 casos é classificado como médio risco e acima de 300 casos há alto risco.
Mais da metade dos 802 casos prováveis de dengue foram registrados no distrito de Retiro, que tem cerca de cinco mil habitantes. De acordo com a prefeitura, o principal desafio para se combater o avanço da doença ainda é convencer ao morador sobre a informação básica de que a transmissão do vírus é pelo mosquito Aedes aegypti.
“Aqui o povo é assim, está vendo a dengue se proliferar, mas quase ninguém faz nada, larga os reservatórios abertos. É uma dificuldade convencer esse pessoal sobre a gravidade do problema, acho que tem que nascer tudo de novo para abrir a mente deles”, disse a repositora de supermercado Andréa da Silva, 38.
Apesar dos números, ninguém morreu por arboviroses (dengue, zika e chikungunya) em Coração de Maria este ano.
Sequelas
Em Coração de Maria, o problema da dengue é algo que preocupa muito o empresário gaúcho Luís Carlos Morete, 49, natural de Caxias do Sul e que há sete anos mora na comunidade rural de Fazenda Ferrovia, a cinco quilômetros da cidade e onde montou um restaurante.
Ele vinha levando uma vida normal até cinco anos atrás, quando foi picado pelo mosquito Aedes aegypti e pegou a febre chikungunya, que causa febre alta e dores nas articulações. Ele ficou de cama por três dias, “os piores da minha vida”.
“Para ir ao banheiro ia quase arrastado, devido às dores nas articulações. No dia que fui picado pelo mosquito estava no centro, eu vi o momento e já fiquei com medo de vir uma dengue, mas veio a chikungunya”, disse Morete.
Desde então, relata o empresário, trabalhar tem sido mais difícil, devido às dores nas articulações que ainda persistem, assim como o medo ser picado de novo pelo Aedes. “Tenho problemas de coração, receio de uma piora”, disse.
Por isso, ele diz que tem usado repelentes todos os dias e toma sempre cuidado com água parada, mas observa que o papel que ele faz não é desempenhado por alguns vizinhos. Ele relatou que a sogra e um cunhado também já tiveram dengue: “Não adianta ter o meu cuidado se os vizinhos não fazem o mesmo. Tem um aqui perto, por exemplo, que eu já vi reservatório dele com larva de mosquito, fui falar e ele achou ruim, disse que eu estava me metendo na vida dele”, comentou.

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Redação CN