Manchas de óleo aparecem na foz do Rio Joanes em Lauro de Freitas e Ibama é acionado, diz prefeitura

As manchas de óleo que atingem o litoral do nordeste brasileiro apareceram, nesta segunda-feira (21), na foz do Rio Joanes, em Lauro de Freitas, informou a prefeitura local. O rio é um dos principais mananciais que abastecem a Região Metropolitana de Salvador.

As manchas foram avistadas em pontos do estuário do rio, na localidade de Buraquinho.

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De acordo com a Prefeitura de Lauro de Freitas, os vestígios de óleo foram identificados por equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH). O órgão informou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já foi acionado.

Manchas de óleo atingiram estuário do Rio Joanes, na Bahia — Foto: Secom Lauro de FreitasManchas de óleo atingiram estuário do Rio Joanes, na Bahia — Foto: Secom Lauro de Freitas
Manchas de óleo atingiram estuário do Rio Joanes, na Bahia — Foto: Secom Lauro de Freitas

Segundo a prefeitura, além de monitorar as áreas no encontro do rio com a praia, equipes de contingência do órgão continuam com o trabalho de remoção das manchas de óleo em toda a orla da cidade.

Antes de atingir o estuário do Rio Joanes, a substância já tinha sido encontrada nas praias de Ipitanga e Vilas do Atlântico.

Reunião
Ministro do Desenvolvimento Regional se reúne com governador da Bahia para falar de manchas de óleo.

Também nesta segunda-feira, o governador da Bahia, Rui Costa, se reuniu em Salvador com o ministro de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e com o vice-almirante André Luiz Santana, comandante do 2º Distrito Naval, para discutir novas ações de análise das manchas de óleo no litoral baiano, seus impactos socioambientais, as causas e soluções para o problema que atinge o Nordeste.

No encontro, o ministro anunciou que decreto de situação de emergência da Bahia foi reconhecido pelo governo federal e que deve ser publicado no Diário Oficial da União na terça-feira (22). Com isso, o estado pode contar com recursos federais para combater as manchas. O ministro disse que o governo deve enviar ao estado cerca de mil equipamentos para ajudar nos trabalhos.

“É um evento, um destare ambiental que não tem precendentes. A natureza geoquímica desse óleo faz com que tenha uma densidade que fica abaixo da lâmina de água. Uma operação muito grande, uma dificuldade técnica gigantesca. Nesse caso, estamos aprendendo a conseguir evoluir e descobrir a causa disso. Não sabemos quando aconteceu esse derramamento e nem em que local aconteceu”, destacou o ministro.

O governador Rui Costa disse que foi solicitada à Marinha indicação de especialistas que possam visitar estuários atingidos. Ele disse que, dos nove pontos de manguezal do Litoral Norte, sete foram atingidos pelo derramamento, sendo eles Jacuípe, Inhambupe, Imbassaí, Itaririri, Itapicuru, Subauma e Pojuca.

“O objetivo é saber se há alguma solução técnica de limpeza, além da limpeza manual que já está acontecendo. A preocupação do Estado é a contaminação desenfreada dos manguezais, que são tão sensíveis e de extrema importância para a vida marinha e dos rios”, pontuou.

Manchas de óleo na Bahia
Manchas de óleo chegam à praia da Pituba, em Salvador — Foto: Alan Oliveira/G1 BAManchas de óleo chegam à praia da Pituba, em Salvador — Foto: Alan Oliveira/G1 BA
Manchas de óleo chegam à praia da Pituba, em Salvador — Foto: Alan Oliveira/G1 BA

As manchas começaram a chegar no estado em 3 de outubro, quase um mês após o início do problema no país. Mais de 150 praias já foram afetadas pelo óleo em todo o Nordeste.

Além de Itacaré, houve registro da substância nas cidades de Vera Cruz, Itaparica, Salvador, Jandaíra, Lauro de Freitas, Conde, Camaçari, Entre Rios, Esplanada e Mata de São João.

Por causa do problema, o Governo do Estado decretou estado de emergência. O decreto irá liberar fundos para as cidades mais prejudicadas, que, até então, têm custeado a limpeza das praias.

Todo o litoral do estado segue sob monitoramento. Representantes de órgãos ambientais, prefeituras, estado e outras entidades, que formam o Comando Unificado do Incidente, têm se reunido diariamente para fazer balanços e pensar soluções para o problema.

Nesta semana, o Ministério Público Federal (MPF-BA) e o Ministério Público do estado (MP-BA) ingressaram com uma ação pública contra a União e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) por causa do óleo. Os órgãos disseram que veem “omissão” na demora em adotar medidas de proteção e que ingressaram com a ação “em decorrência das consequências e riscos ambientais provenientes do vazamento de óleo”.

Há registro em todos os nove estados da região. A Bahia foi o último a ser atingido.

Em Salvador, até o momento, cerca de 90 toneladas do material foram retiradas das praias. De acordo com a prefeitura, cerca de 400 agentes de limpeza estão trabalhando neste fim de semana, em regime de 24h, realizando trabalho de pente-fino na retirada de fragmentos que ficaram nas pedras e areias, bem como no monitoramento da chegada do óleo.

Ainda segundo a prefeitura, após ser pesado, o material está sendo encaminhado para um depósito temporário na sede da Limpurb, onde segue até que os órgãos ambientais responsáveis decidam o que será feito com a substância.

Fonte G 1

Redação CN