Setor de achados e perdidos do metrô do Rio guarda itens como documentos, dentadura, pássaro e cadeira de rodas

Passageiros já perderam quase 15 mil objetos no metrô esse ano. Setor de achados e perdidos existe há dez anos e funcionários reúnem histórias curiosas.

Perder documentos no transporte público é bem comum, mas o setor de Achados e Perdidos do Metrô Rio não tem só carteiras de identidade. Passageiros distraídos que utilizam o metrô já esqueceram objetos inusitados como bicicleta, cadeira de rodas, dentadura e até passarinho dentro de uma gaiola.

“Olha, se esquece de tudo dentro do metrô, por incrível que pareça. Alguém deve ter entrado no trem e esqueceu o passarinho na plataforma”, explicou Simone Pfeil, gerente de marketing e atendimento do Metrô Rio. A ave não precisou ser cuidada pelos funcionários por muito tempo, pois logo foi reclamada pelo dono.

Entre as histórias curiosas também está a de um passageiro que deixou a dentadura cair na linha férrea, mobilizando os seguranças e técnicos para que fosse recuperada, já que os trilhos são eletrificados. Uma perna mecânica também está entre os itens esquecidos.

 

Mas os documentos e cartões são os recordistas em perdas. Na central de atendimento na estação Carioca há inúmeras pastas com eles.

“É um volume muito alto de documentos. É até difícil quantificar. Porque todo dia a gente recebe documentos. A gente tem pastas e pastas, cartão de crédito, de débito e até passaporte”, destacou a gerente de marketing.

Violino perdido
Há pouco mais de 20 dias, um objeto raro de ser visto em um setor com funcionários que lidam com o esquecimento alheio todos os dias chamou a atenção de todos: um violino.

“Ele foi encontrado há 20 dias na estação do Flamengo por um dos nossos agentes de segurança. Ele cadastrou no sistema e a gente está fazendo um apelo para que a pessoa encontre, porque sem dúvida é um objeto especial”, destacou a representante do metrô.

Para quem esqueceu o violino, ou um simples documento, a recomendação é simples: mantenha as suas coisas perto do corpo. “Nós pedimos que as pessoas fiquem atentas com os seus objetos porque são coisas que fazem falta”, explicou Pfeil.

Recorde
De janeiro até o fim de outubro deste ano, 14.144 objetos foram deixados nos trens e plataformas do metrô no Rio de Janeiro, segundo a concessionária.

Faltando menos de dois meses para o fim do ano, o número já é maior do que nos dois últimos anos, quando o metrô registrou ao longo de todo ano 12.687 em 2018 e 13.567 em 2017.

O setor de achados e perdidos existe há dez anos. Todos os funcionários do sistema trabalham, de certa maneira, para ajudar a reunir os objetos que são deixados para trás. Mas dois são designados especialmente para isso.

“Todo objeto que é perdido dentro do metrô é cadastrado por algum dos funcionários. A gente tem um sistema de cadastro, a pessoa acha e imputa aquele objeto dentro do nosso sistema. A partir daí, ele se mostra disponível para quem está no setor de atendimento”, destacou Pfeil.

Uma parte dos itens fica no setor de atendimento ao público, na estação Carioca. Os itens maiores são encaminhados para outro depósito, no escritório central da concessionária, onde ficam armazenados por 60 dias.

Perdas são comuns
Circulando pelas estações, histórias de objetos perdidos não faltam histórias de perda de objetos não apenas no metrô, mas em todo o sistema de transporte.

A estudante universitária Sabrine Calixto já perdeu dinheiro e esqueceu a mochila quando estava no Ensino Fundamental, mas a maior dor de cabeça foi deixar a carteira para trás. “Eu tive que tirar tudo de novo”, contou, falando sobre seus documentos.

Já o estudante Frederico Speranza perdeu o ingresso da semifinal da Libertadores em 2008 entre Fluminense e Boca Juniors no metrô. “Estava super lotado, mal conseguia me mexer. Chegando na porta do Maracanã, o ingresso tinha sumido com a identidade e várias outras coisas”, contou.

As estações como a própria Carioca, onde fica o posto de atendimento, assim como as outras da região central do Rio, são as que mais registram objetos perdidos, já que são conexões para outros modais e contam com um maior fluxo de passageiros.

G1

Redação CN