O Cangalha do Vento e a sétima arte


Samuel Costa
Quando uma pessoa se propõe ler um livro, seja em sua particularidade ou em idealização social, leva para si representações de sentidos internos, revelando sua evolução da própria vida e assim exterioriza o examinar favorito.
Na visão como Psicólogo e Psicodramatista estou aqui porque depois de ter vivenciado essa escrita, posso escolher reagir angustiado, alegre, furioso ou pensativo. A vida é um palco, em todo palco existe um drama, e em todo drama há uma cena no mundo interno ou no mundo externo, escondido ou não, atrás das câmaras. Se eu assim decidi assumir a responsabilidade de ler a escrita do meu amigo Luiz Eudes, cumpro com a concepção de propor desenhos em forma de xilogravuras em sua narrativa, o que simbolicamente me dominou por completo.
Porque inicialmente chamo de amigo e não escritor? A meu ver, isso ocorre quando nas linhas iniciais fui preparado de maneira generosa a respeitar a etapa da matriz familiar com a frase de Antônio Torres:
“O Junco:
esta é a terra que me pariu,
hei de te amar até morrer”.
Quando a emergência se torna inicialmente presença, a mitopoética apresentada por Luiz Eudes sai do papel repetido, cristalizado, para um desenvolvimento dinâmico de nossa existência como espécie humana.
A crise em particular gerou em mim as interpolações entre o interno e o externo, o gozo e o horror, amor e ódio, a vida na morte. Saio do meu imaginário e graças as suas possibilidades abro a primeira cena em meu modo real.
Quando estou referindo a perspectiva da cena, manifestou a dramatização de aparecer um número variável de personagens, cenários, sons, multidões e energia suplementar que podem ser vivenciadas desses impulsos.
A morte ainda é vista como um acontecimento medonho, pavoroso em vários níveis. Como é fascinante essa interpolação de papéis que abre a cosmologia do ser humano entre o céu e a terra. Vivemos por muito tempo e não sabemos para que estamos aqui. Assim agora o autor Luiz Eudes diz:
“Como haveria de viver por mais tempo o homem que tanto amara? Não havia remédio contra a morte, a saudade era inútil, a ausência perene. Aristeu, o Galego, olhou languidamente a tarde que esmorecia no céu do Junco, onde filetes escartales delineavam o céu. E morreu com a imagem de Tereza sorrindo para ele.”
Sinto aqui que é a partir das nossas escolhas que fazemos a vida mudar, ajustar e criar. Quanto mais avançamos com a ciência, nos perdemos na essência. – E do que se trata a essência? Perguntou o amigo Eudes em uma tarde regada a café. Em todo quintal pode haver um jardim. Assim digo que quando existe uma sintônia de ambos se torna sagrado.
Essa sicronissidade interconectada determina circunstâncias do autor, produz naquele que o realiza e no meio de que o cerca. Essência nada mais é do que o ato criador. Porém a conserva cultural fez do nosso tempo uma modalidade enraizada, automática e sem novos rumos da obra. As notas de Beethoven geraram conservas, mas não aderiram ao aperfeiçoamento no papel humano, apenas repetições e adequações da resposta dada.
O livro Cangalha do Vento proporciona estudos sobre nossa matriz de identidade, o ato familiar, contra papeis de espaço e tempo. As funções dos símbolos humanos geram princípios e valores. Uma tentativa de trazer para a mente sua originalidade em uma consciência avançada. Assim como o autor Eudes em sua realidade suplementar viu a imagem de Tereza sorrindo perante a morte, eu pude me envolver dramaticamente para poder traduzir essas falas tão preciosas através de minha amina artística.
Na própria terapia da relação, nessa explicação convido-o para atuar simulações reais, capazes de criar intensas emoções e proporcionar novos atos. Revelo essa literatura como um esboço para a teoria da cena, passando pelos caminhos dos personagens, tratando das diferentes formas de contato e impacto social. Sinto uma imensidão sistematizada e convido você para acolher essa dramaturgia escrita para a resolução de conflitos e subjetivação.
Por fim, jamais por derradeiro: toda história pode ser encenada, proporcionando integração, afetos, corpo real, novos autores e mudança psicossocial.
“A arte demonstra onde podemos chegar. E esse encontro está próximo, está dentro de cada um de nós.”

*Samuel Costa, é escritor e palestrante. Psicólogo, especialista em psicodrama didata. É co-criador do projeto “O cordel dramático”, apresentado no Chile. E desenvolveu o programa “Quero ouvir tua voz”.

Redação CN