Justiça determina que Yasmin, que tem leucemia agressiva, faça tratamento de R$ 3,5 milhões no exterior ,via SUS


A Justiça Federal determinou, nesta quinta-feira (9), que a União providencie, no prazo de até 15 dias, um depósito no valor de R$ 1.914.535,77 para complementar o tratamento Car-T Cell de Yasmin Bastos, 11. A família dela, que mora em Feira de Santana, lançou uma campanha para arrecadar o valor e garantir que a menina tenha acesso ao serviço, indisponível no Brasil.

Yasmin possui leucemia linfoide aguda (LLA), um tipo raro e agressivo de câncer, desde 2015. Os pais dela procuraram a Defensoria Pública da União (DPU) para garantir o direito à única alternativa de tratamento, que é a terapia Car-T Cell. Eles criaram campanhas na internet para sensibilizar e mobilizar doadores.

Os custos estimados do tratamento nos Estados Unidos são de aproximadamente R$ 3,5 milhões. Até o último dia 7, mais de R$ 2,3 milhões tinham sido arrecadados. Em nota, a DPU informou que, em razão da gravidade e dos riscos envolvidos, o defensor federal Daniel Maia Tavares requereu à Justiça, no último dia 20, que o governo federal arque com todos os custos via Sistema Único de Saúde (SUS).

O valor da causa foi estipulado em R$ 5 milhões, considerando possíveis variações no dólar, com o objetivo de garantir a despesa médica, farmacêutica e hospitalar, além de transporte, alimentação e estadia da criança e acompanhantes durante o tratamento.

Na decisão, a juíza federal Andreia Guimarães do Nascimento, da 3ª Vara Federal Cível de Feira de Santana, ordenou que, assim que a União deposite o valor, a Caixa Econômica Federal (CEF) proceda à transferência do montante para conta poupança da família, que deverá prestar contas após o retorno.

Yasmin recebeu alta do Hospital São Rafael, em Salvador, no dia 2 de setembro, após passar 30 dias internada. No entanto, foi hospitalizada novamente na última terça-feira (7), por causa de uma infecção urinária.

Antes, ela passou 15 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para tratar complicações de uma cirurgia, para a realização de biópsia. As complicações foram causada por causa do avanço do câncer.

“Ela teve complicações, mas a gente continua confiante na esperança que, em breve, ela vai fazer o tratamento. A gente continua na luta, correndo contra a doença”, contou a mãe de Yasmin, Viviane Bastos.

A mulher destaca que a leucemia tem progredido, e a filha não responde mais a quimioterapia. A única possibilidade de garantir que a garota melhore é a terapia Car-T Cell, de acordo com a equipe médica que acompanha o caso. Yasmin e os familiares lutam há seis anos desde que descobriu o câncer, que atinge o sistema imunológico e a medula óssea, mesmo após a realização de um transplante.

O tratamento está disponível em países da Europa e nos Estados Unidos. A terapia consiste em modificar as células do próprio paciente em laboratório e depois de modificadas essas células são inseridas novamente no paciente para destruir as células tumorais.

Fonte: G1

Redação CN