Adolescente com escoliose passa por cirurgia de correção na BA, e mãe revela desejo: ‘Louco para ir ao estádio’; veja antes e depois

O adolescente de 15 anos, morador de Feira de Santana, no interior da Bahia, que precisava de cirurgia na coluna para correção da escoliose, conseguiu passar pela operação e já se recupera em casa.

Além da escoliose, Gabriel West sofre de esclerose múltipla e, desde novembro do ano passado, a deformidade na coluna se agravou. A curvatura já se aproximava dos pulmões e o garoto corria risco de morte caso a cirurgia demorasse a acontecer.

Diante da gravidade do caso, a família dele fez uma “vaquinha” virtual para arrecadar R$ 100 mil, dinheiro que seria usado no procedimento médico.

Entretanto, Gabriel conseguiu uma consulta no Hospital Estadual da Criança (HEC), também em Feira de Santana, onde foi realizado o procedimento.

Gabriel deu entrada na unidade de saúde no dia 23 de setembro e no dia seguinte passou pela cirurgia. Uma semana depois, recebeu alta médica e agora segue em casa, nos processos de fisioterapia e reabilitação.

Para fazer a cirurgia no sistema particular, a família precisaria dos R$ 100 mil, mas com a “vaquinha” virtual, eles só conseguiram pouco mais de R$ 11 mil. Com o surgimento da ajuda extra, que fez com que Gabriel conseguisse uma consulta no HEC, o procedimento foi realizado via Sistema Único de Saúde (SUS).

“A patroa de minha irmã ficou sabendo da história dele. Ela entrou em contato com a gente, pediu as informações e passou essas informações para a equipe do HEC. Como o médico [responsável] iria retomar essas cirurgias aqui [em Feira de Santana], ela [a patroa] nos ajudou a encontrar a vaga para consulta com o médico Sergio Murilo”, relembra Josemary West, mãe do adolescente.

Já a quantia arrecada na “vaquinha”, está sendo usada para os demais atendimentos de saúde, como exames e fisioterapia, por exemplo. Ele também precisa passar por sessões de ressonância magnética para o tratamento da esclerose. Cada sessão custa em média R$ 1 mil. A próxima está agendada para janeiro de 2022.

Depois das consultas e acompanhamento, Gabriel foi encaminhado para a correção da coluna. De acordo com a Josemary West, até a autoestima de Gabriel deu um pico de 100% e, além da melhora na saúde, a cirurgia mudou o jeito do menino encarar a vida.

“Antes as pessoas olhavam com uma cara de preconceito, de reprovação. Foi uma cirurgia tão incrível que conseguiu corrigir tudo. Para quem viu antes e hoje, parece que é outra pessoa. Ele chegou a olhar no espelho, virou para mim e disse ‘mãe, como estou bonito’. Agora, sim, ele terá uma qualidade de vida digna”, celebra.

Agora, o garoto vive na expectativa de ter uma vida comum e realizar atividades que até então não eram possíveis, como jogar bola, andar de bicicleta e ir ao estádio torcer pelo time do coração, o Vitória.

“Ele tem um irmão de 18 anos, que vê saindo para jogar bola e ele não pode. Nossa expectativa é a gente chegar com ele na praia e deixar ele à vontade, sem preocupação nenhuma. Ele torce para o Vitória e também está louco para ir no estádio”, revela a mãe.

Gabriel ainda não pode receber visitas por causa da imunidade baixa e não há prazo estimado para a recuperação plena da cirurgia. A mãe conta que, com as sessões de fisioterapia aliadas às boas doses de carinho da família, não vai demorar muito para que ele tenha uma vida ativa como todo adolescente de 15 anos.

“A cicatrização está perfeita, bem seca. Ele não sente dor nenhuma. O próprio médico disse que ele precisa se movimentar. Ele está fazendo a fisioterapia e logo, logo, está jogando bola e curtindo a vida como deve ser”, comemora Josemary, que precisou deixar o emprego para cuidar de Gabriel e dar toda a atenção necessária ao filho.

Além do adolescente, ela tem outros dois filhos: um jovem de 18 anos, e uma menina, de 10.

Gabriel teve a esclerose múltipla identificada aos seis anos de idade. O problema desenvolveu danos na coluna, que ficaram mais graves há quase um ano. Os medicamentos ofertados pelo SUS, geralmente em falta, dificultavam ainda mais o tratamento do garoto.

“Ele parou de andar até sabermos que era um problema na coluna. Hoje ele faz acompanhamento em Salvador. Pela esclerose, descobriu-se a escoliose no ano passado. Era uma situação que a gente estava correndo contra o tempo”, conta Josemary.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica, progressiva e autoimune. As células de defesa do corpo atacam o sistema imunológico da própria pessoa, causando lesões no cérebro e na medula.

“Um caso raro, ele que é um menino, descobrimos quando ele tinha 6 anos. Um menino e negro, um caso raro mesmo. A esclerose múltipla é comum para mulheres acima de 30 anos e branca”, explicou Josemary, mãe do menino.

Redação CN